{"id":363,"date":"2013-05-16T00:01:59","date_gmt":"2013-05-16T03:01:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.encontracaruaru.com.br\/noticias\/?p=363"},"modified":"2013-08-19T10:14:02","modified_gmt":"2013-08-19T13:14:02","slug":"seca-revela-fosseis-de-animais-da-era-do-gelo-em-caruaru","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.encontracaruaru.com.br\/noticias\/seca-revela-fosseis-de-animais-da-era-do-gelo-em-caruaru\/","title":{"rendered":"Seca revela f\u00f3sseis de animais da Era do Gelo em Caruaru"},"content":{"rendered":"<p>Uma descoberta paleontol\u00f3gica no Agreste pernambucano intriga moradores da regi\u00e3o e pesquisadores. Com a forte estiagem que abate o Nordeste brasileiro, uma esp\u00e9cie de lago entre pedras no topo de uma serra no s\u00edtio Carneirinhos, em Dois Riachos, na zona rural de guia Caruaru, a 130 quil\u00f4metros da cidade Recife, secou completamente pela primeira vez, revelando centenas de fragmentos de f\u00f3sseis de animais pr\u00e9-hist\u00f3ricos. Entre eles, h\u00e1 exemplares da megafauna, que habitaram a regi\u00e3o na conhecida Era do Gelo, h\u00e1 pelo menos 10 mil anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Com as chuvas das \u00faltimas semanas, o reservat\u00f3rio voltou a encher, mas a curiosidade permanece. Aos poucos, o local come\u00e7ou a virar ponto tur\u00edstico. A comunidade cient\u00edfica j\u00e1 se debru\u00e7a sobre o material a fim de datar os ossos e descobrir quando eles foram parar naquele lugar. A reportagem\u00a0foi conhecer o &#8220;cemit\u00e9rio de f\u00f3sseis&#8221;, que ainda guarda poss\u00edveis pinturas rupestres.<\/p>\n<p>&#8216;Tomei um susto&#8217;<\/p>\n<p>O respons\u00e1vel pela descoberta dos ossos foi o agricultor Jos\u00e9 Carlos Silva, contratado pelo propriet\u00e1rio do s\u00edtio para limpar a lama que cobria o reservat\u00f3rio, cujo fundo chega a quatro metros. Pelas diferentes colora\u00e7\u00f5es nas paredes \u00e9 poss\u00edvel enxergar os n\u00edveis que a \u00e1gua na cidade de Caruaru chegou ao longo do tempo. &#8220;Logo no primeiro metro, j\u00e1 apareceu um &#8216;bocado&#8217; [de ossos]. Eu tomei um susto. Moro h\u00e1 41 anos aqui e nunca tinha visto isso. Achei fant\u00e1stico, pensava que era de dinossauro. Parei o servi\u00e7o para avisar ao patr\u00e3o&#8221;, contou.<\/p>\n<p>Professora de hist\u00f3ria, Elenilma Melo, esposa do propriet\u00e1rio do terreno, foi quem percebeu o valor da descoberta. &#8220;Eu disse: &#8216;n\u00e3o bole em nada ai&#8217;, pois sabia que era tudo muito fr\u00e1gil, podia quebrar. Procurei outros colegas de trabalho, que entraram em contato com a UFRPE [Universidade Federal Rural do Estado de Pernambuco]. A not\u00edcia tem se espalhado e a gente est\u00e1 cada vez mais ansioso para saber o que tem l\u00e1 [na lago]&#8221;, comentou. &#8220;Nossa ideia \u00e9 preservar o local para guardar esse peda\u00e7o da hist\u00f3ria. A casa est\u00e1 aberta para quem quiser nos visitar&#8221;, complementou o comerciante Jos\u00e9 Severino Silva, dono do s\u00edtio.<\/p>\n<p>O bi\u00f3logo Alexandre Nunes j\u00e1 analisou algumas pe\u00e7as e identificou, por exemplo, partes de uma mand\u00edbula, de um f\u00eamur e de uma termina\u00e7\u00e3o do rabo de uma pregui\u00e7a gigante, que devia medir seis metros. Tamb\u00e9m h\u00e1 f\u00f3sseis de tatus, que na \u00e9poca eram do tamanho de um Fusca; de mastodonte e toxodonte, parentes distantes do elefante e do hipop\u00f3tamo, respectivamente. &#8220;Sabe aquele filme &#8216;A Era do Gelo&#8217;? S\u00e3o animais daquele per\u00edodo geol\u00f3gico, o Pleistoceno, que habitavam essa regi\u00e3o, favor\u00e1vel \u00e0 sobreviv\u00eancia deles, sem mata fechada e com comida. Eles foram extintos por conta das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, passaram por quatro eras glaciais&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>O paleont\u00f3logo Gustavo Ribeiro, professor do Departamento de Biologia da UFRPE, est\u00e1 respons\u00e1vel pela an\u00e1lise do material. &#8220;J\u00e1 pegamos mand\u00edbula, ossos longos e ossos menores, cerca de 10 a 15 materiais, que ser\u00e3o estudados para divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica at\u00e9 o fim deste ano. Acredito que os animais iam buscar \u00e1gua naquele local e morriam pr\u00f3ximo dali, e as enxurradas levavam os ossos para o fundo daquela depress\u00e3o. Agora, quando foram parar ali, vamos ter que usar t\u00e9cnicas de is\u00f3topos radioativos, como caborno-14, para data\u00e7\u00e3o&#8221;, argumentou o estudioso, que voltar\u00e1 ao s\u00edtio, na pr\u00f3xima semana, para recolher mais amostras.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a primeira vez<\/p>\n<p>Esta n\u00e3o \u00e9 a primeira jazida fossil\u00edfera localizada em Pernambuco. Segundo a paleont\u00f3loga da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Alcina Magn\u00f3lia Barreto, h\u00e1 ocorr\u00eancias em pelo menos 40 munic\u00edpios do estado. A maior parte fica em Brejo da Madre de Deus, perto do s\u00edtio em Dois Riachos, onde h\u00e1 15 dep\u00f3sitos identificados.<\/p>\n<p>E eles d\u00e3o pistas sobre as caracter\u00edsticas dos f\u00f3sseis encontrados na regi\u00e3o. &#8220;A data\u00e7\u00e3o deles tem ficado entre 50, 60 e 70 mil anos atr\u00e1s. Entre os fragmentos coletados, estavam ossos petrificados de pregui\u00e7as, lhamas, toxodontes, mastodontes&#8221;, apontou. &#8220;\u00c9 importante preservar essa rec\u00e9m-descoberta porque ela pode ser um local chave na compreens\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o da \u00e1rea pela fauna e pelo homem pr\u00e9-hist\u00f3rico&#8221;, complementou.<\/p>\n<p>No s\u00edtio em Dois Riachos, um pared\u00e3o com a ponta mais curva, que serviria de abrigo aos nossos ancestrais, tem poss\u00edveis pinturas rupestres, que ainda ser\u00e3o pesquisadas. &#8220;S\u00e3o desenhos que representam o cotidiano dos homens pr\u00e9-hist\u00f3ricos, que podem ter coexistido ou n\u00e3o com os animais gigantes, isso precisa ser estudado&#8221;, explica o bi\u00f3logo Alexandre Nunes.<\/p>\n<p><em>Fonte: G1<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma descoberta paleontol\u00f3gica no Agreste pernambucano intriga moradores da regi\u00e3o e pesquisadores. 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